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Água de reuso nos grandes centros urbanos
21/03/2012

Escassez de recursos hídricos nos grandes centros urbanos reflete diretamente no abastecimento da população. Tecnologia disponível colabora na reaproveitamento da água

Devido à baixa disponibilidade hídrica, especialmente no período seco, o estado de São Paulo tem implantado cada vez mais projetos utilizando a água de reuso, ou seja, água não potável que pode ser reutilizada para diversas finalidades, com exceção do abastecimento humano. De acordo com a Superintendência de Tratamento de Esgotos da Metropolitana da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa responsável pelo tratamento e distribuição da água de reuso no estado, “esse produto originou-se da escassez de água em determinadas regiões, o que gerou a necessidade de busca por outras fontes de recursos hídricos”.

A escassez hídrica sofrida em centros urbanos, em especial as grandes cidades,  pode colocar em risco o abastecimento de grande parte da população. Dados apontam que na região metropolitana de Campinas durante as estações outono e inverno, a oferta de água nas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) chega a 408 m3/habitante/ano, apenas um terço do nível considerado crítico pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é de 1.500 m3/habitante/ano. Além de abastecer os municípios da região, parte da vazão dos rios do PCJ, cerca de 29 m3/s, é utilizada pelo Sistema Cantareira, que abastece 50% da região metropolitana de São Paulo.

A água de reuso, segundo a Superintendência, é o resultado de um processo de pós-tratamento aplicado a efluentes tratados de sistemas convencionais de tratamento de esgotos. “Na região metropolitana de São Paulo, a água de reuso é produzida nas quatro Estações do Sistema Principal - Estações de Tratamento de Esgoto (ETE’s) ABC, Barueri, Parque Novo Mundo e São Miguel- e também na Estação de Tratamento de Esgotos Jesus Neto que iniciou, em 1998, o reuso planejado para fins industriais”. Atualmente a Sabesp tem 76 empresas cadastradas, sendo que 35 estão ativas na utilização da água de reuso. “A Companhia fornece para as cidades de Barueri, São Caetano, Santo André e São Paulo”, afirma.

Entre as vantagens da utilização da água reutilizável estão a redução de pressão sobre a captação de água bruta e a preservação dos recursos hídricos para abastecimento humano. “Com a utilização da água de reuso, uma quantidade maior de água potável fica disponível para o uso humano. Desde que sejam atendidas todas as exigências sanitárias e de qualidade requerida para água, não há desvantagens”, comenta a Sabesp.

A água de reuso pode ser utilizada para diversas finalidades, que variam de acordo com as características da região onde se pretende utilizá-la. De acordo a Sabesp, “na região metropolitana de São Paulo, o uso pretendido é para fornecimento às indústrias, prefeituras e empresas, para fins não potáveis”.

Qualidade da água de reuso

O monitoramento da qualidade da água de reuso, segundo a Superintendência, é feito através de análises físico-químicas e microbiológicas, que variam em função da qualidade requerida, remetendo para padrões de qualidade já estabelecidos por normas internacionais ou pelo cliente final. “As diferentes tecnologias de pós-tratamento são empregadas de acordo com a qualidade que se pretende obter. Para atividades menos nobres, como selagem de bombas, irrigação de jardins ou lavagem de ruas, pode-se adotar um tratamento que consiste em filtração convencional e desinfecção. Para utilização em atividades mais complexas, como na fabricação de componentes eletrônicos, é recomendável adotar tecnologias como membranas de ultrafiltração ou osmose reversa”, explica.

De acordo com Mauro Banderali, especialista em instrumentação ambiental e hidrológica, “mesmo que a água for utilizada para fins não potáveis, deve-se atingir um padrão mínimo de qualidade e monitorar a quantidade de compostos químicos que estão presentes na água”. Segundo Banderali, “o mercado já disponibiliza tecnologias que identificam e mensuram as impurezas presentes na água que será reutilizada”.

Em relação aos parâmetros de qualidade que devem ser monitorados na reutilização da água, a Sabesp afirma que eles variam conforme a norma de referência ou qualidade exigida pelo cliente final. “Entretanto, os parâmetros que são sempre observados são aqueles que indicam presença de matéria orgânica, sólidos, acidez e patógenos. No laboratório são efetuadas determinações dos parâmetros Demanda Biológica de Oxigênio (DBO), sólidos suspensos totais (SST), ensaios microbiológicos e óleos e graxas (presença e ausência). Também são realizadas análises online de cloro e turbidez para monitoramento contínuo”.

De acordo com Banderali, “atualmente a tecnologia mais recomendada para identificar  parâmetros da qualidade da água de reuso são as sondas multiparamétricas da linha Aquaread. A possibilidade de mensurar parâmetros como temperatura, turbidez, pressão atmosférica, oxigênio dissolvido mg/l, oxigênio dissolvido saturação, condutividade elétrica, entre muitos outros, faz com que o equipamento esteja disponível em dez diferentes versões. A sonda Aquaprobe, depois de conectada ao mostrador Aquameter GPS e submergida na água, disponibilizará no visor informações como pressão atmosférica, posição GPS e informações de altitude, além de outros dados, reunidos a cada dois segundos”, orienta o especialista.

Riscos e precauções

De acordo com a Sabesp, “se a utilização for adequada e não houver contato direto com a água, não há nenhum risco para a saúde. Porém, para o seu manuseio é recomendável vestuário apropriado, como a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), entre eles bota de PVC, luva de PVC longa e áspera, avental de PVC sem mangas, capacete e protetor facial em acrílico”.

 

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